História

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DE UM GRUPO TEATRAL

Gota Pó e Poeira

O Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira” surgiu em 15 de agosto de 1983, quando um grupo de adolescentes e jovens do movimento da Igreja Católica resolveu montar trabalhos independentes do contexto religioso ou escolar, vendo no grupo uma possibilidade dessa realização. A partir daí, partiram para estudo de textos, pesquisas sobre o ato de fazer teatro e ainda de como estruturar um grupo. Nessa trajetória de 29 anos, os integrantes foram modificando-se, porém sempre em busca de oficinas, festivais, mostras, e intercâmbio. Hoje é uma referência no Estado do Espírito Santo, sendo um  dos grupos mais ativos das terras capixabas. Seu processo de criação nunca sofreu qualquer interrupção e somada às suas montagens, vieram projetos de circulação de espetáculo, realização de mostras, e ainda a organização do Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, que acontece anualmente.

Nesses quase trinta anos o grupo coleciona muitas histórias e prêmios. Mas para chegar ao estágio de hoje, fizeram desde apresentações em cima de caminhões a palcos grandiosos como os do Rio e São Paulo. A primeira apresentação do grupo foi com a peça “A Verdade”, no Salão dos Vicentinos em Guaçuí, e depois no Distrito de São Tiago. A poeira da estrada que dava acesso ao vilarejo parece que entranhou na história da companhia, e de lá para cá, uma importante página das artes cênicas capixabas foi escrita. 

A primeira incursão do grupo à capital se deu com o espetáculo “A Megera Domada”, em 1985, e que de certa forma apresentou o grupo ao cenário cultural do Estado. A apresentação aconteceu no Theatro Carlos Gomes, no antigo Festival da Federação Capixaba de Teatro Amador e impressionou o Governo do Estado que conseguiu para o elenco uma oficina com o diretor Armando Mecenas Óliver que resultou no espetáculo “Viagem Sideral” – o primeiro prêmio do seu vasto currículo.

Mas os passos no longo caminho estavam apenas iniciando. Era preciso realizar trabalhos com a direção do próprio grupo e ganhar uma identidade. Então o grupo, na ânsia de experimentar, ia de montagens infantis a adultas, em busca de uma linha. Assim montou “O Fardão” e a primeira versão de “A árvore que fugiu do quintal”, produções que foram importantes no processo de aprendizagem dos anos 80. Nessa época ainda o elenco se aventurou por performances e cenas curtas.

As viagens para fora do Estado começaram pelo nordeste, em Pernambuco, quando o grupo por dois anos foi a Cabo de Santo Agostinho, com os espetáculos “A Noite de Teresa Cibalena” e “Por essa Shakespeare não esperava”. Numa conversa com os críticos e jurados, o grupo começou a identificar a linha que deveria tração, chegando à farsa. E vieram alguns sucessos nos anos seguintes, como “Canção dentro do pão”, “Um solo para dois atores”, “A cor desta noite” (que foi transformado num curta metragem), “O guardião do rio” e “O pequenino grão de areia”, entre outras. 

Mas foi com “A Lenda do Talismã”, após uma oficina ministrada pelo diretor Carlos Ola, em 2000, que fez uma renovação em seu elenco, e o grupo ganha espaço na mídia capixaba e monta outros sucessos como “Para sempre Rapunzel”, que encenam até hoje. O grupo foi se firmando com outras montagens, inclusive com participação de outros diretores, como Gilvan Balbino em “Chocolate, cravos e espinhas”, elogiado em festivais paulistas. O grupo também se expande em para outras capitais, como Curitiba, onde descobre o teatro de rua, e encenam grandes sucessos por lá como “A roupa nova do imperador”, “A megera domada” e “A saga amorosa dos amantes Píramo e Tisbe”, essa ainda inédita na cidade.

Hoje mais maduro e consciente de que ainda é preciso crescer mais, o elenco é convidado semanalmente para levar seus trabalhos em diversos municípios da região e ainda tem a incumbência de formar novos atores e técnicos no Ponto de Cultura, recém conquistado, junto ao Governo do Estado do Espírito Santo e Ministério da Cultura. Em todos os lugares por onde passa obtém o reconhecimento pela sua resistência, pelo seu talento, pelo deboche e interatividades de algumas montagens, e – acima de tudo – pelo amor ao teatro.

Atualmente, no meio de muitas peças do seu repertório, uma delas é o grande xodó do elenco, trata-se de “Estórias de um povo de lá”, dirigida por Igor Ferreira, do Rio de Janeiro, fruto do edital de residência da Secretaria de Estado da Cultura, de 2009. O elenco venceu com ele três importantes festivais e circula por diversas cidades a convite das Prefeituras. Nele os atores interpretam, cantam, dançam, numa linguagem mista com um texto inspirado em Guimarães Rosa, afinal eles têm muitas histórias de cá e de lá para contar.

Gota Pó e Poeira

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